segunda-feira, 12 de agosto de 2019

BORA PRA MAIS UMA TRAVESSIA.

(Mapa do Caminhos de Caravaggio)

Olá pessoal, quanto tempo!?👩

Desde o ano passado, não tenho escrito no blog ( não que falte o que contar, mas sim disposição pra sentar e escrever 😁) hoje está completando 10 meses da minha primeira travessia, e como gosto de uma boa história pra contar, dessa vez estou aqui pra falar de outra "travessia" que vou fazer.

(foto da saída na Barra do Cassino/ Rio Grande - Outubro/18)

Fiz a travessia Barra do Cassino / Barra do Chui e contei em detalhes; desde a compra de equipamento 👉(https://recomecarepreciso2010.blogspot.com/2018/10/chegou-minha-vezcassinochui-ai-vou-eu.html) até como foi a travessia 👇(https://recomecarepreciso2010.blogspot.com/2018/10/alem-do-que-eu-podia-imaginar.html )
Agora esse ano, resolvi fazer uma caminhada de 200 km na "Serra Gaúcha"...
Já conheço a serra pois fui algumas vezes de carro com meu marido, porém sempre era no Verão, mas dessa vez além de fazer o trajeto todo caminhando, vai ser fim desse mês. ( ainda é Inverno)

O que posso adiantar pra vocês:
* Vai ser um trajeto completamente novo pra mim
* Nunca caminhei em trechos íngremes
* Não gosto de frio
* Não tive tempo de me preparar fisicamente
 (continuo indo a academia mas, não tenho feito tantas caminhadas como gostaria.)
* Estou acima do peso

(tudo que levei na outra travessia)

Da outra travessia, a experiência me deu noção do que realmente a gente usa nesses casos, e confesso que levei peso demais na mochila. Exemplo:

* travesseiro inflável ( acabei usando a mochila pra apoiar a cabeça)
* várias roupas ( fiquei com um monte de roupa suja pesando)
* caderno pra anotação ( não escrevi nada, nenhum dia)

Dessa vez como não vou acampar, não vou precisar de saco de dormir, isolante térmico e tantas outras coisas que levei (e não usei) e com isso a mochila vai com o que for realmente necessário.


Da outra vez, sofri com as alças da mochila por dois motivos:

1º eu tinha operado o ombro esquerdo em Fevereiro/18 e mesmo em Outubro/18, ainda sentia incomodo com o peso da mochila e o top sobre a cicatriz.
2º minha mochila não tem aquela fita peitoral que segura as alças próximas ao peito, eu sentia incomodo embaixo dos braços por causa do atrito com as alças.

Resolvi esse problema das alças da mochila, com uma simples alça de outra bolsa, presa com dois mosquetões (um de cada lado)



Outra coisa que me incomodava era o "cantil" ( eu tenho mochila de hidratação, mas não sabia que o refil era removível 😒) então pra não andar com duas mochilas, optei por levar um cantil preso na mochila com um mosquetão. Porém, quando precisava de água eu tinha que parar, retirar o cantil, abrir e só então beber. Dessa vez vou levar o refil dentro da mochila, assim é só usar a mangueirinha pra beber água, sem ter que andar com o cantil pendurado (as vezes até na mão, como mostra na foto)


Na outra travessia levei minha câmera, que apesar de ser ótima, pesa 530gr (parece pouco mas juntando com as outras coisas, pesava muito) e as vezes eu levava pendurada no pescoço,causando desconforte e assadura com o suor. Agora vou levar apenas o celular, que pesa apenas 211gr. e tem várias utilidades.


(acampamento no Farol do Sarita - Caminhando Pelo Taim, Abril/19)

Tenho feito caminhadas nos fins de semana com meu esposo ( acampei em Abril perto de um dos faróis que passamos na outra travessia, dessa vez com um grupo menor mas bem divertido) e com essas caminhadas fiz novos amigos

Agora vamos esperar pra ver o que terei pra contar quando voltar...

E por enquanto é só 😁

Obs: Pra quem quiser fazer a "Travessia Cassino /Chui" 👇
https://www.caminhodosfarois.com.br/?fbclid=IwAR2jRZS0dYN2G1L9Gav53val6hhvdsw217NpsWOhNop-LXqLxj2-ut3y4XE
 Ou conhecer o "Caminhando Pelo Taim" 👇
https://www.facebook.com/pg/Caminhando-pelo-Taim-324488294774131/about/?ref=page_internal

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

TOTALMENTE FORA DA CASINHA.

Concheiro perto da Praia do Hermenegildo.

Andar sobre o concheiro num dia de neblina é surreal...

Estranho não ver nada além de conchas que cobrem completamente a areia...sem conseguir ver o mar a esquerda e as dunas a direita, caminhei olhando para o chão.

Por alguns momentos estive completamente sozinha, sem conseguir ver meus companheiros de travessia. As hastes do óculos de sombra, davam a ilusão de que eu estava andando numa rua, tipo aquelas do Velho Oeste. (como essa da foto) por várias vezes parei de caminhar e olhei para os lados achando que tinha alguém me olhando... sinistro!

Eu viajei legal... totalmente fora da casinha!


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

ALÉM DO QUE EU PODIA IMAGINAR.



Olá pessoal,tudo bem?

Aqui estou de volta após passar 8 dias caminhando 235 km de praia,areia e muito sol...
Levei na mochila,entre tantas coisas, um caderno onde pretendia anotar meu dia a dia, porém tudo que eu planejei deu errado.

Não estou dizendo que me arrependi, mas sim, que apenas ia vivendo um dia de cada vez, e confesso que foi bom demais.

(Briefing no Hotel Atlântico no Cassino - 12/10/2018)

Quem me conhece sabe que sou pontual (detesto chegar atrasada) planejei chegar no horário da reunião, mas devido ao tempo chuvoso e o feriado,os ônibus estavam com a frota reduzida e acabei chegando atrasada. Uma amiga foi comigo, e na correria nem percebi o que falei ao me apresentar... 

- Desculpem o atraso, meu nome é Elisa e essa é minha companheira!

Nos dias de hoje, algumas palavras ganharam duplo sentido, e essa deu o que falar, pra confundir ainda mais, no final meu esposo foi nos buscar. 
Haviam pessoas de vários lugares...São Paulo,Espírito Santo,Paraná,Rio Grande do Sul. Confesso que achei que seria difícil conviver com 12 caminhantes + 5 da equipe de apoio, cada um com suas manias e estilos de vida completamente diferentes. As idades variavam bastante também... O mais velho tinha 80 anos e o mais novo 16 anos. (ambos da mesma família)
Dia 13/10/2018 acordei 04:30h pra me arrumar, tomar café e chegar cedo no hotel, onde havíamos combinado de nos reunir pra sairmos juntos (não queria novamente chegar atrasada) porém, meu esposo resolveu pegar outro caminho que demorou um pouco mais pra chegar.

Momentos antes de começar a travessia.

Chegamos de van na beira dos Molhes da Barra / Cassino, o dia estava nublado com muito vento de frente, pra testar nossas forças já nos primeiros passos. Deu pra sentir que não ia ser fácil, mas havia me preparado pra esse dia, e enfim juntos começamos a caminhar.

Atravessando um dos muitos riachos que tinham pelo caminho.

No dia anterior, havia chovido muito e com isso, pequenos córregos viraram riachos com diferentes profundidades. Usávamos sacos de lixo nos pés pra proteger os calçados, mas como eram muitos, acabei entrando de bota dentro d'água. (parecia aquela cena do filme Karate Kid)

- Põem casaco! Tira casaco! (nesse caso põem saco, tira saco)

Nos primeiros km caminhados comecei a sentir queimação nos ombros devido ao atrito do top com a pele e o peso da mochila, resolvi então me libertar de tudo que causasse desconforto, tirei meu relógio porque o tempo era o que menos importava. 

Noites estreladas.

Fiquei com dor de barriga ao consumir produtos pra dar energia, os quais não estava acostumada... foram momentos de sentir arrepios de tanta dor. Porém foram graças as dores que contemplei as madrugadas estreladas. Agradeço aos meus "irmãos de caminhada" que trocaram alguns medicamentos comigo.


E o tal tempo, foi o que mais me encantou... Todas as vezes que tentei acompanhar o grupo, parecia que algo me travava, só com o passar dos dias percebi que era isso que eu precisava; ir devagar.
Levei coisas que não precisei e no final só pesaram nas minhas costas; desisti de tentar chegar junto e fui recompensada com abraços que me confortavam. Nas primeiras noites passei frio de bater o queixo, sofri na hora do banho porque, ou era riacho gelado ou lenço umedecido.

Essa cara de feliz foi no 3º acampamento, onde tomei um banho quente.

Nesse dia ficamos abrigados do vento e da areia, dormindo próximo das árvores...foi o primeiro dia que dormi a noite toda,sem acordar com frio.

Aquelas pessoas que no começo pensei que seriam difíceis de conviver, foram as que me incentivaram a continuar. Não precisei em momento algum forçar pra ser aceita (algo que tentei por anos com algumas pessoas) e confesso que nunca me senti tão acolhida... entre risadas e fotos os dias foram passando, me senti parte da tribo.

Essas figueiras são como um oásis no deserto.

Na maioria dos dias fiz a travessia chorando, mas não era tristeza, saudade...eram lágrimas de gratidão pelo privilégio de estar ali, poder ouvir, enxergar,caminhar. Coisas simples, que na correria do dia a dia deixamos de dar valor... uma flor, o canto dos pássaros, o som do vento, do mar, o desenho deixado na areia.

Sol nascendo no 2º acampamento.

Fiquei com os pés cheios de bolhas, porém nunca reclamei da dor, elas serviram pra valorizar cada obstáculo vencido. Por vezes andei só de meias, dentro d'água pra suportar a dor. Vinham na cabeça pequenos trechos de músicas que combinavam com o momento vivido... uma delas era "O sol - Jota Quest."

♫ Ei dor eu não te escuto mais, você não me leva a nada...♫

Varal das Orações, quase chegando no Balneário Hermenegildo.

Momento de descansar o corpo e mente, e deixar a alma falar... Deus esteve presente em cada passo, nos ajudando a suportar nossas cargas físicas e emocionais. Queria que tanta gente que eu conheço, estivesse ali passando por cada etapa. Não acredito que alguém passe por tudo que passamos sem derramar uma lágrima.

Faixa com apelido.

Na última noite antes de chegarmos ao final da travessia, ficamos numa pousada na praia do Hermenegildo e depois de jantarmos as gurias tiveram a ideia de dar faixas com apelidos para cada membro do grupo. Como chorei mais que a maioria, esse foi o apelido que ganhei...

- Miss Nuvem de Lágrimas.

Chegada no final da travessia, na Barra do Chui.

E então o dia 20/10/2018 chegou e com ele nossas forças foram renovadas, assim como lá nos Molhes da Barra / Cassino, ficamos de mãos dadas, chegamos juntos no final da travessia. Muito choro, abraços e satisfação de ter chegado até ali.

Foram os 8 dias mais diferentes que vivi, como eu disse no álbum de fotos... Foi como estar grávida; toda preparação, comprar as coisas que iria usar, fazer a mala (mochila) sentir as dores e no final a gente esquece o sofrimento e chora de alegria.

Se eu fosse falar de cada um faltaria espaço pra tanta coisa; quem esteve lá comigo sabe o quanto mudou minha maneira de ver cada um deles. Estranhos que ganharam meu afeto e um lugar especial no meu coração.

Tem um versículo lá em Provérbios 17:17, que diz assim: